So you wanna go
Away from my mind
Away from my arms
Away from my heart
So you wanna say
Goodbye to my mouth
Goodbye to my love
Goodbye to my life
I Know, you want to fly
Use your wings, you have to try
I know, you won't cry
It's not your broken bone, pass me by
But leave here my guitar!
You can go, you can fly
I'm really fine, I don't fucking mind
And I hope you realise
All your dreams
All your dreams
But leave here my guitar!
21.9.09
16.9.09
Grão de Arroz
Nesse universo tão vasto
Eu sou um grão de arroz
Vagando solto, sem rumo
Procurando o que não foi
Não vejo as nuvens no alto
Não vejo o topo dos prédios
Não vejo o teto das casas
Porque eu sou um grão de arroz
Que se perdeu do pacote
Um grão de arroz reclamando
Do transporte coletivo
E o motorista, lá em cima:
-Fica quieto, grão de arroz!
Eu sou um grão de arroz
Vagando solto, sem rumo
Procurando o que não foi
Não vejo as nuvens no alto
Não vejo o topo dos prédios
Não vejo o teto das casas
Porque eu sou um grão de arroz
Que se perdeu do pacote
Um grão de arroz reclamando
Do transporte coletivo
E o motorista, lá em cima:
-Fica quieto, grão de arroz!
9.9.09
Cratera mental
Olha aqui!
A solidão me derrubou
Faz muito tempo que eu já não sei o que é calor
Olha aqui!
O meu buraco existencial
Faz muito tempo que eu desisti de ser normal
Olha aqui!
Pelo menos tente enxergar
As cicatrizes que o mundo quer fazer sangrar
É preciso ter os meus olhos
Pra perceber essa ilusão
É preciso ter a minha mente
Pra não aceitar a situação
É preciso ter o meu rancor
Pra ignorar o coração
Desça aqui!
Vou te mostrar
O que é viver
Sem ter calor!
Desça aqui!
Você vai ter
Que repensar
O que é o amor!
No meu abismo intelectual
Só sobrevive o que é abissal
Independente do que me domine
Seja o bem, ou seja o mal!
Eu queria voar...
Eu queria sair...
Eu queria voltar.
A solidão me derrubou
Faz muito tempo que eu já não sei o que é calor
Olha aqui!
O meu buraco existencial
Faz muito tempo que eu desisti de ser normal
Olha aqui!
Pelo menos tente enxergar
As cicatrizes que o mundo quer fazer sangrar
É preciso ter os meus olhos
Pra perceber essa ilusão
É preciso ter a minha mente
Pra não aceitar a situação
É preciso ter o meu rancor
Pra ignorar o coração
Desça aqui!
Vou te mostrar
O que é viver
Sem ter calor!
Desça aqui!
Você vai ter
Que repensar
O que é o amor!
No meu abismo intelectual
Só sobrevive o que é abissal
Independente do que me domine
Seja o bem, ou seja o mal!
Eu queria voar...
Eu queria sair...
Eu queria voltar.
Isso tem a ver com
_Poesias,
esquizofrenia estudantil,
existencialismo,
falta de criatividade,
grunge,
insanidade,
loucura,
niilismo,
ressaca
8.9.09
A Cerimônia
Aquela era a sexta vez que enterrava alguém.
De tardezinha, sob às sombras de asas negras fazendo círculos no céu anil e sobre o vermelho do chão da estrada, Celestino, com seu andar sertanejo traz nos braços uma criatura sem vida, um braço balançando no triste ritmo de seus pés indelicados, pra lá, pra cá, pra lá, pra cá. Flexível e magra como uma boneca de pano e tão bela e limpa como uma princesa, Antônia está morta. A estrada é cheia de curvas, seus chinelos chiam sobre o chão fazendo que a poeira se levante em leves ondas.
Já tinha se acostumado com o peso da terra na ponta da pá, não era muito difícil pra ele abrir uma cova de pouco mais de 1,30m de comprimento e a largura... 60 ou 70cm talvez, uma criança não ocupa tanto espaço assim. Se fosse cheinha, gordinha, saudável, até faria um buraco mais largo, mas pra um corpo tão fino não era preciso tanto espaço.
Deitou delicadamente o corpo da menina na terra. Da ponta de seus pés miúdos puxou um risco na terra que ia até um palmo acima de sua cabeça. Olhou o cadáver por alguns instantes, aquelas tranças, aqueles olhos, aquele pescoço, os braços... as mãos.
Pegou a pá, benzeu o corpo, fincou-a na terra. Olhou a menina outra vez. Seu cabelo fora cuidadosamente trançado, sua roupa estava ainda quase limpa a não ser pela poeira que subiu e pintou algumas dobras, um laço rosa enfeitava sua cintura no vestido branco. O rosto era magro e sulcado, delicadamente semelhante ao de sua mãe, os olhos eram bem grandes, castanhos e brilhantes antes, agora opacos e sem cor, o nariz era cópia do seu, fino, empinado e com narinas pequenas, a boca era um sorriso constante de criança esperta, criança inteligente, que trabalhava bastante com a mãe, criança que, por causa de alguns falecimentos, se tornara a irmã mais velha e agora fizera tanto esforço para ajudar a sustentar a família que, no seio da seca, se virava
Começou a cavar. Afundava o instrumento com o vigor dos braços e depois usava o peso do corpo sobre a perna esquerda pra ir mais fundo ainda, até a terra encobrir toda a parte de metal. Cavava mecanicamente, sem pensar, sem se emocionar. Tinha que ser rápido, já estava prestes a escurecer.
Quando a cova ficou funda o suficiente para encobrir a coitada, largou a pá.
Pegou-a nos braços, trouxe-a até o pescoço para sentir seu cheiro ainda doce, suspirou, gemeu e chorou enquanto pousava seu corpo no chão do buraco. Suas lágrimas pousavam na testa da garota morta, depois desceram até seus olhos ainda abertos, passaram pelas maçãs do rosto e sumiram ao redor do pescoço. Não conseguiu manter-se frio como nos outros cinco enterros. Cada quantia de terra na cova era um berro de um pai desesperado. Como esse era o último enterro, não quis guardar a dor no peito. Não dessa vez. Gemeu, chorou, berrou, sofreu e agonizou ao ver aquele montinho de terra mais escura que os outros cantos, com uma cruz de gravetos na parte de cima.
Tão logo o sol começara a se afogar nas trevas, o homem se foi. Sem pá, sem filha, sem esperança, sem alma.
Aquela era sua sexta criança, mais uma levada pela fome.
De tardezinha, sob às sombras de asas negras fazendo círculos no céu anil e sobre o vermelho do chão da estrada, Celestino, com seu andar sertanejo traz nos braços uma criatura sem vida, um braço balançando no triste ritmo de seus pés indelicados, pra lá, pra cá, pra lá, pra cá. Flexível e magra como uma boneca de pano e tão bela e limpa como uma princesa, Antônia está morta. A estrada é cheia de curvas, seus chinelos chiam sobre o chão fazendo que a poeira se levante em leves ondas.
Já tinha se acostumado com o peso da terra na ponta da pá, não era muito difícil pra ele abrir uma cova de pouco mais de 1,30m de comprimento e a largura... 60 ou 70cm talvez, uma criança não ocupa tanto espaço assim. Se fosse cheinha, gordinha, saudável, até faria um buraco mais largo, mas pra um corpo tão fino não era preciso tanto espaço.
Deitou delicadamente o corpo da menina na terra. Da ponta de seus pés miúdos puxou um risco na terra que ia até um palmo acima de sua cabeça. Olhou o cadáver por alguns instantes, aquelas tranças, aqueles olhos, aquele pescoço, os braços... as mãos.
Pegou a pá, benzeu o corpo, fincou-a na terra. Olhou a menina outra vez. Seu cabelo fora cuidadosamente trançado, sua roupa estava ainda quase limpa a não ser pela poeira que subiu e pintou algumas dobras, um laço rosa enfeitava sua cintura no vestido branco. O rosto era magro e sulcado, delicadamente semelhante ao de sua mãe, os olhos eram bem grandes, castanhos e brilhantes antes, agora opacos e sem cor, o nariz era cópia do seu, fino, empinado e com narinas pequenas, a boca era um sorriso constante de criança esperta, criança inteligente, que trabalhava bastante com a mãe, criança que, por causa de alguns falecimentos, se tornara a irmã mais velha e agora fizera tanto esforço para ajudar a sustentar a família que, no seio da seca, se virava
Começou a cavar. Afundava o instrumento com o vigor dos braços e depois usava o peso do corpo sobre a perna esquerda pra ir mais fundo ainda, até a terra encobrir toda a parte de metal. Cavava mecanicamente, sem pensar, sem se emocionar. Tinha que ser rápido, já estava prestes a escurecer.
Quando a cova ficou funda o suficiente para encobrir a coitada, largou a pá.
Pegou-a nos braços, trouxe-a até o pescoço para sentir seu cheiro ainda doce, suspirou, gemeu e chorou enquanto pousava seu corpo no chão do buraco. Suas lágrimas pousavam na testa da garota morta, depois desceram até seus olhos ainda abertos, passaram pelas maçãs do rosto e sumiram ao redor do pescoço. Não conseguiu manter-se frio como nos outros cinco enterros. Cada quantia de terra na cova era um berro de um pai desesperado. Como esse era o último enterro, não quis guardar a dor no peito. Não dessa vez. Gemeu, chorou, berrou, sofreu e agonizou ao ver aquele montinho de terra mais escura que os outros cantos, com uma cruz de gravetos na parte de cima.
Tão logo o sol começara a se afogar nas trevas, o homem se foi. Sem pá, sem filha, sem esperança, sem alma.
Aquela era sua sexta criança, mais uma levada pela fome.
Diáspora precoce
Estou em casa, é domingo, deitado no chão da sala com as pernas pro ar. Minha mãe está lavando roupas (ou será que eram louças do almoço?) e escutando músicas evangélicas no rádio velho.
Pego uma folha de papel em branco, desenho uma árvore. Nela coloco alguns frutos e umas folhas caindo. À esquerda da árvore, uma casa pequena e simples; uma janela aberta. Acima da casa, algumas nuvens. Acima das nuvens, o sol. Acima do sol... acabou o papel.
Minha mãe não sabe o que é que eu devo desenhar agora; também não sei. Ela diz que está muito ocupada pra me bajular e volta com o avental cheio de sabão ao quintal cheio de mato no fundo de casa.
Peguei os lápis-de-cor e comecei a colorir o chão ainda mal definido. Todo verde, com algumas pontas (era o capim). Após o chão, o tronco da árvore, com um marrom muito diferente do marrom de verdade. A ponta quebrou.
Ela não sabe onde é que se enfiou o malandro do apontador, repete que está ocupada e volta ao serviço. Está tão ocupada que toda vez que eu chamo ela aparece com um sorrisão no rosto, reconhece que desenho bem e não quer admitir.
Tudo bem, procuro sozinho.
Passei um tempo sem desenhar, acho que foi uma crise de criatividade, estava imaginando uma figura, provavelmente algum desenho animado me fez ficar meio bobo, e saí da sala. Algo me fez me lembrar de meu pai.
Peguei o preto, o vermelho e as cores mortas. Já era outro desenho.
Meu pai era um homem covarde, batia em minha mãe quando bebia. Todos sabíamos que ele não prestava. Eu não gostava muito dele - a barba dele me pinicava, seu bafo era cachaça em vapor. Era o típico estereótipo do machão século XX: alcóolatra, desempregado, mulherengo e bom de lábia.
Passei a tarde toda criando lápides e covas, árvores mortas, morcegos. Coloquei no desenho a minha tão curta - e sofrida- história de vida.
No final da tarde escutei uns barulhos de pratos quebrando, alguma coisa pesada caindo, uns gritos, uns tapas... papai chegou.
Bêbado e podre, como sempre aos domingos. Nem fui ver ele. Estava mais preocupado em me esconder.
Eu sabia que uma hora ou outra ele me encontraria mas continuei escondido. Acabei entrando no armário e fechei a porta.
-Cadê meu filho? - berrou Polifemo. Cadê? Vem cá... vem ver o paizão! Cadê ele, sua vadia!?
Minha mãe não estava em condições de responder. Ele repetiu a pergunta com mais fúria, ela não respondeu de novo. Me encolhi, mesmo assim ele me achou e me pegou no colo.
Furei o olho dele com o lápis vermelho, estava muito bem apontado, e fui arremessado a 3 metros de distância. Ele era muito alto, bem grande mesmo, e caiu, fez um estrondo. Saía sangue do olho, ele chorou igual eu fazia quando apanhava. Bem feito.
Minha mãe pegou a bolsa e as economias de 6 meses e fomos embora pra nunca mais voltar. E o ogro ficou estirado lá, urrando. Nem sei se ele percebeu que o caixão no desenho era o dele.
Pego uma folha de papel em branco, desenho uma árvore. Nela coloco alguns frutos e umas folhas caindo. À esquerda da árvore, uma casa pequena e simples; uma janela aberta. Acima da casa, algumas nuvens. Acima das nuvens, o sol. Acima do sol... acabou o papel.
Minha mãe não sabe o que é que eu devo desenhar agora; também não sei. Ela diz que está muito ocupada pra me bajular e volta com o avental cheio de sabão ao quintal cheio de mato no fundo de casa.
Peguei os lápis-de-cor e comecei a colorir o chão ainda mal definido. Todo verde, com algumas pontas (era o capim). Após o chão, o tronco da árvore, com um marrom muito diferente do marrom de verdade. A ponta quebrou.
Ela não sabe onde é que se enfiou o malandro do apontador, repete que está ocupada e volta ao serviço. Está tão ocupada que toda vez que eu chamo ela aparece com um sorrisão no rosto, reconhece que desenho bem e não quer admitir.
Tudo bem, procuro sozinho.
Passei um tempo sem desenhar, acho que foi uma crise de criatividade, estava imaginando uma figura, provavelmente algum desenho animado me fez ficar meio bobo, e saí da sala. Algo me fez me lembrar de meu pai.
Peguei o preto, o vermelho e as cores mortas. Já era outro desenho.
Meu pai era um homem covarde, batia em minha mãe quando bebia. Todos sabíamos que ele não prestava. Eu não gostava muito dele - a barba dele me pinicava, seu bafo era cachaça em vapor. Era o típico estereótipo do machão século XX: alcóolatra, desempregado, mulherengo e bom de lábia.
Passei a tarde toda criando lápides e covas, árvores mortas, morcegos. Coloquei no desenho a minha tão curta - e sofrida- história de vida.
No final da tarde escutei uns barulhos de pratos quebrando, alguma coisa pesada caindo, uns gritos, uns tapas... papai chegou.
Bêbado e podre, como sempre aos domingos. Nem fui ver ele. Estava mais preocupado em me esconder.
Eu sabia que uma hora ou outra ele me encontraria mas continuei escondido. Acabei entrando no armário e fechei a porta.
-Cadê meu filho? - berrou Polifemo. Cadê? Vem cá... vem ver o paizão! Cadê ele, sua vadia!?
Minha mãe não estava em condições de responder. Ele repetiu a pergunta com mais fúria, ela não respondeu de novo. Me encolhi, mesmo assim ele me achou e me pegou no colo.
Furei o olho dele com o lápis vermelho, estava muito bem apontado, e fui arremessado a 3 metros de distância. Ele era muito alto, bem grande mesmo, e caiu, fez um estrondo. Saía sangue do olho, ele chorou igual eu fazia quando apanhava. Bem feito.
Minha mãe pegou a bolsa e as economias de 6 meses e fomos embora pra nunca mais voltar. E o ogro ficou estirado lá, urrando. Nem sei se ele percebeu que o caixão no desenho era o dele.
24.8.09
CírCulo CaótiCo
Não sei bem o porquê, mas... fico triste quando chove de madrugada. Deve ser porque acordo repentinamente (é! meus olhos simplesmente se abrem, acho que são programados) com frio e quase sempre não há nenhum cobertor por perto, fico me aquecendo sozinho na cama, torcendo e retorcendo nervos, passando os braços nos peito, na barriga, nas pernas; escutando a chuva que jorra pela calha levando folhas e sujeira do telhado pobre, ouvindo sons absurdos e imaginando o que podem ser, fico tão perplexo e ansioso que não consigo pegar no sono de novo... deixo a demência me tragar.
Fico hipnotizado com o som do vento, algumas vezes feroz, forte e frenético, outras vezes fraco, franzino e frígido, frisando finas frases de falsa felicidade... o som furioso do tronco de uma árvore gemendo, querendo se dobrar, se agitando, os cachorros que uivam de medo a cada trovão, o silêncio falso se misturando com o tenso tom de tristeza que assume a minha respiração nesse cubículo claustrofóbico que eu sou forçado a chamar de quarto.
Tudo é tão torpe, tão tétrico, tão triste! E o pior de tudo: não consigo derramar uma lágrima! Aprendi aos poucos a ignorar aquela voz no peito, aqueles gritos internos que saem da garganta rouca do coração, aprendi a calá-los aos poucos e por incrível que pareça não foi muito difícil, pode ter sido doloroso em alguns pontos, mas isso é muito relativo, cada pessoa se deixa atingir de uma maneira, e a vida nos fornece várias mordaças, é só escolher qual, quando, onde e como usá-las. Mecanismos de defesa, né?! Tanto faz...
Fico perdido, conjeturando possibilidades e hipóteses paranóico-esquizofrênicas, revendo remoendo e regurgitando idéias esdrúxulas até que no marasmo da precipitação estronde um raio e me traga o frio na espinha forte o suficiente pra cortar o fluxo de insanidade; à medida que o som do raio ecoa vou me livrando do susto, aceitando a idéia dos pêlos eriçados no fundo da nuca, meus nervos e músculos vão gradativamente relaxando, minha respiração volta ao ritmo arrastado de sempre, minhas pálpebras escuras adquirem peso e fecham as janelas de minh'alma.
Sinto alguns sopros preenchendo 4 paredes: lembranças de "seiláquantotempoatrás" vêm perturbar minha mente com perfumes, aromas que eu não sei de quem ou de quando vieram, mas que parecem estar encharcando minhas narinas em lugares estranhos que visitei um dia; músicas, acordes depressivos de guitarras distorcidas me cortando os tímpanos, me perturbando, me entorpecendo; imagens remotas, fotografias distorcidas e mal focadas, quadros complexos de uma paisagem absurda, um campo escuro sob um céu sem luzes; memórias de um tempo que já se foi e não voltará jamais, por mais que eu me aproxime ou me afaste; algumas frases estranhas sussurradas que me marcaram, umas sem sentido algum, outras com o timbre da sabedoria, da inteligência, do raciocínio e do cálculo das mentes frias; trechos de poemas que se encaixam... Ninguém assistiu ao enterro de minha última quimera, somente a ingratidão, esta pantera, foi minha companheira inseparável!
Não. Não mesmo: não sei do que estou falando. Nem preciso saber, também. É o meu mundo, é a minha vida, é a minha mente, são as minhas asneiras de estimação, são as minhas idéias criando tentáculos monstruosos feitos de metal cromado, são minhas vísceras desenvolvendo automação e saindo violentamente pela minha garganta me quebrando os dentes me rasgando os lábios e me abandonando!
Fico em dúvida se isso tudo é um delírio mental ou se as coisas realmente são o que meus olhos vêem. Eu espero que... foda-se! Seja lá o que for, mas seja alguma: alguma coisa que possa me distrair, me acalmar, enganar meus neurônios, qualquer coisa que seja capaz de me anestesiar, qualquer coisa que seja forte o bastante pra transformar em reticências as malditas exclamações do caos do mundo!
Nessas horas eu incorporo a síndrome do pânico, tenho a impressão de que fico desesperado, euforicamente desesperado, com vontade de me levantar, gritar, arrebentar a porta e sair de casa pra me molhar lá fora, no meio da rua, só eu e minha loucura. Mas passa... como disse Renato em Metal contra as nuvens, tudo passa. Tudo passará. Mas demora, talvez demore. Às vezes demora tanto que quando eu percebo o céu já é todo púrpuro e já está quase na hora de começar tudo de novo... e eu fico lá, me contorcendo na cama, indo pra um canto, vindo pra outro, tentando aproveitar os últimos minutos do meu próprio veneno, até que vejo pela fresta da janela enferrujada o primeiro raio-de-sol de um novo e provavelmente cansativo ciclo de 24 horas.
Fico hipnotizado com o som do vento, algumas vezes feroz, forte e frenético, outras vezes fraco, franzino e frígido, frisando finas frases de falsa felicidade... o som furioso do tronco de uma árvore gemendo, querendo se dobrar, se agitando, os cachorros que uivam de medo a cada trovão, o silêncio falso se misturando com o tenso tom de tristeza que assume a minha respiração nesse cubículo claustrofóbico que eu sou forçado a chamar de quarto.
Tudo é tão torpe, tão tétrico, tão triste! E o pior de tudo: não consigo derramar uma lágrima! Aprendi aos poucos a ignorar aquela voz no peito, aqueles gritos internos que saem da garganta rouca do coração, aprendi a calá-los aos poucos e por incrível que pareça não foi muito difícil, pode ter sido doloroso em alguns pontos, mas isso é muito relativo, cada pessoa se deixa atingir de uma maneira, e a vida nos fornece várias mordaças, é só escolher qual, quando, onde e como usá-las. Mecanismos de defesa, né?! Tanto faz...
Fico perdido, conjeturando possibilidades e hipóteses paranóico-esquizofrênicas, revendo remoendo e regurgitando idéias esdrúxulas até que no marasmo da precipitação estronde um raio e me traga o frio na espinha forte o suficiente pra cortar o fluxo de insanidade; à medida que o som do raio ecoa vou me livrando do susto, aceitando a idéia dos pêlos eriçados no fundo da nuca, meus nervos e músculos vão gradativamente relaxando, minha respiração volta ao ritmo arrastado de sempre, minhas pálpebras escuras adquirem peso e fecham as janelas de minh'alma.
Sinto alguns sopros preenchendo 4 paredes: lembranças de "seiláquantotempoatrás" vêm perturbar minha mente com perfumes, aromas que eu não sei de quem ou de quando vieram, mas que parecem estar encharcando minhas narinas em lugares estranhos que visitei um dia; músicas, acordes depressivos de guitarras distorcidas me cortando os tímpanos, me perturbando, me entorpecendo; imagens remotas, fotografias distorcidas e mal focadas, quadros complexos de uma paisagem absurda, um campo escuro sob um céu sem luzes; memórias de um tempo que já se foi e não voltará jamais, por mais que eu me aproxime ou me afaste; algumas frases estranhas sussurradas que me marcaram, umas sem sentido algum, outras com o timbre da sabedoria, da inteligência, do raciocínio e do cálculo das mentes frias; trechos de poemas que se encaixam... Ninguém assistiu ao enterro de minha última quimera, somente a ingratidão, esta pantera, foi minha companheira inseparável!
Não. Não mesmo: não sei do que estou falando. Nem preciso saber, também. É o meu mundo, é a minha vida, é a minha mente, são as minhas asneiras de estimação, são as minhas idéias criando tentáculos monstruosos feitos de metal cromado, são minhas vísceras desenvolvendo automação e saindo violentamente pela minha garganta me quebrando os dentes me rasgando os lábios e me abandonando!
Fico em dúvida se isso tudo é um delírio mental ou se as coisas realmente são o que meus olhos vêem. Eu espero que... foda-se! Seja lá o que for, mas seja alguma: alguma coisa que possa me distrair, me acalmar, enganar meus neurônios, qualquer coisa que seja capaz de me anestesiar, qualquer coisa que seja forte o bastante pra transformar em reticências as malditas exclamações do caos do mundo!
Nessas horas eu incorporo a síndrome do pânico, tenho a impressão de que fico desesperado, euforicamente desesperado, com vontade de me levantar, gritar, arrebentar a porta e sair de casa pra me molhar lá fora, no meio da rua, só eu e minha loucura. Mas passa... como disse Renato em Metal contra as nuvens, tudo passa. Tudo passará. Mas demora, talvez demore. Às vezes demora tanto que quando eu percebo o céu já é todo púrpuro e já está quase na hora de começar tudo de novo... e eu fico lá, me contorcendo na cama, indo pra um canto, vindo pra outro, tentando aproveitar os últimos minutos do meu próprio veneno, até que vejo pela fresta da janela enferrujada o primeiro raio-de-sol de um novo e provavelmente cansativo ciclo de 24 horas.
Isso tem a ver com
_Pensamentos,
caos,
grunge,
insanidade,
insônia,
loucura,
niilismo,
psicodelia,
ressaca,
tristeza,
vento
20.8.09
Solidão de concreto
Abri os olhos, chovia
Estiquei os braços sem pressa, levantei o tórax
Fiquei sentado, com a cabeça escondida no abrigo das mãos
Ouvi a melodia triste das gotículas caindo
Era tarde da noite, o teto estava turvo
-Tão tétrico...
Só o esboço da mobília era visível
Linhas indefinidas na ausência de luz
O lençol, sobre minha cintura
Amassado, morno e macio
Dois travesseiros atrás de mim
Um corpo só: O meu. Só eu.
Pisquei.
Na verdade não havia muita diferença
Em abrir os olhos ou mantê-los fechados
Afinal... a solidão é abstrata.
Estiquei os braços sem pressa, levantei o tórax
Fiquei sentado, com a cabeça escondida no abrigo das mãos
Ouvi a melodia triste das gotículas caindo
Era tarde da noite, o teto estava turvo
-Tão tétrico...
Só o esboço da mobília era visível
Linhas indefinidas na ausência de luz
O lençol, sobre minha cintura
Amassado, morno e macio
Dois travesseiros atrás de mim
Um corpo só: O meu. Só eu.
Pisquei.
Na verdade não havia muita diferença
Em abrir os olhos ou mantê-los fechados
Afinal... a solidão é abstrata.
19.8.09
Tarde Cinza
Aqui o vento éum sussurro constante
Só o som
das saudades...
Sinto o frio que vem suave, sibilando
E me lembro, triste
Dos seus cabelos
Esvoaçando, soltos, numa tarde cinza
Aqui o vento é um sussurro constante
Sinto falta
da sua voz, que, doce
me fez ver figuras singelas
Sua pele sempre morna, no abraço
Que eu não sinto, há muito tempo
Faz do vento um sussurro cortante
E eu ouço, com os olhos úmidos
o seu nome flutuando...
Aqui o vento é um sussurro triste.
Só o som
das saudades...
Sinto o frio que vem suave, sibilando
E me lembro, triste
Dos seus cabelos
Esvoaçando, soltos, numa tarde cinza
Aqui o vento é um sussurro constante
Sinto falta
da sua voz, que, doce
me fez ver figuras singelas
Sua pele sempre morna, no abraço
Que eu não sinto, há muito tempo
Faz do vento um sussurro cortante
E eu ouço, com os olhos úmidos
o seu nome flutuando...
Aqui o vento é um sussurro triste.
14.8.09
Quero te falar!
É vendo seus lábios que eu me perco e falo
Quanto mais eu falo, mais quero falar-te
Do amor que sinto
Por seus lábios mudos
Que entreabertos, me deixam sem palavras
Vou falando... falando... falando...
Você sente, lá no fundo
Que faz algum sentido
Essa falácia toda
Cavalgas sobre o meu falar
Por lindos campos que os olhos,
Estando abertos,
Não podem enxergar
Falei de mais, pouco tenho a dizer
Já tens o nectar
Já tens o prêmio do meu discurso
Agora, enquanto sussurras algumas frases,
Nada mais digo,
só te ouço.
Quanto mais eu falo, mais quero falar-te
Do amor que sinto
Por seus lábios mudos
Que entreabertos, me deixam sem palavras
Vou falando... falando... falando...
Você sente, lá no fundo
Que faz algum sentido
Essa falácia toda
Cavalgas sobre o meu falar
Por lindos campos que os olhos,
Estando abertos,
Não podem enxergar
Falei de mais, pouco tenho a dizer
Já tens o nectar
Já tens o prêmio do meu discurso
Agora, enquanto sussurras algumas frases,
Nada mais digo,
só te ouço.
12.8.09
Espelho Trincado
Por mais que eu queira ser indestrutível
Ser frio, ser implacável, calculista
Fingir minha emoção como o artista
Que o faz por trás de máscara invisível
Me apego à tentação do envolvimento
Me cego no clarão da esperança
E entrego, sem batalha, a confiança
A quem de mim merece enjeitamento
É tétrico quem quer ser otimista:
Percebe que, no baile, pra uma dança
Possui somente o ébrio coração
Feliz é o ser humano insensível:
Ignora as dores vãs do sofrimento,
Destroça as lentes turvas da paixão!
Ser frio, ser implacável, calculista
Fingir minha emoção como o artista
Que o faz por trás de máscara invisível
Me apego à tentação do envolvimento
Me cego no clarão da esperança
E entrego, sem batalha, a confiança
A quem de mim merece enjeitamento
É tétrico quem quer ser otimista:
Percebe que, no baile, pra uma dança
Possui somente o ébrio coração
Feliz é o ser humano insensível:
Ignora as dores vãs do sofrimento,
Destroça as lentes turvas da paixão!
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